Dia Internacional da Mulher: Estudante do curso de Geoprocessamento relata experiência feminina na área de tecnologia
Por PROFITEC em 6 de março de 2026

A presença feminina nas áreas de tecnologia ainda é um desafio em diversos espaços acadêmicos e profissionais. Em cursos como Redes de Computadores, Agrocomputação, Geoprocessamento e Análise e Desenvolvimento de Sistemas, ofertados pelo Programa de Formação Profissional Tecnológica (ProfiTec), da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), a maioria das turmas ainda é composta predominantemente por homens.
No entanto, cada vez mais mulheres têm ingressado nessas áreas. Um exemplo dessa trajetória é a estudante Maria Marta da Silva Brito, estudante do Curso de Geoprocessamento, no campus Balsas.
Para ela, a escolha pela área foi motivada pela realidade econômica da região.
“Escolhi o Geoprocessamento pela alta demanda da nossa região, que é um polo do agronegócio e precisa muito de análise de dados espaciais. O que mais me atraiu no ProfiTec foi a oportunidade de ter uma formação tecnológica de qualidade sem precisar sair da minha cidade, com foco direto no mercado de trabalho”, explicou.
Com aulas concentradas aos finais de semana, a estudante concilia a rotina acadêmica com trabalho e responsabilidades familiares. Segundo Maria Marta, a organização do tempo é importante para manter o ritmo de aprendizado.
“Minha rotina é intensa. Nos finais de semana eu foco totalmente nas aulas. Durante a semana, reservo um tempo para estudar à noite ou nos intervalos do trabalho e das tarefas de casa, fazendo revisão dos conteúdos e prática no softwares de mapeamento. É um desafio, mas a vontade de crescer profissionalmente me motiva”, contou.
Ao ingressar em um campo marcado pela predominância masculina, Maria relata que sentiu o receio inicial por escolher uma carreira tecnológica.
“Deu um frio na barriga. O campo e a tecnologia de precisão ainda são vistos como ambientes masculinos. Superei isso focando na minha competência técnica. Quando você domina a ferramenta e entrega resultados, o gênero deixa de ser uma barreira e passa a ser apenas um detalhe”, afirmou.
Marta comenta que a presença feminina traz contribuições importantes no desenvolvimento de projetos e soluções tecnológicas.
“Acredito que as mulheres trazem um olhar muito detalhista e uma capacidade de organização multidisciplinar. No Geoprocessamento, a precisão e o cuidado com a análise de dados são fundamentais, e muitas vezes conseguimos identificar nuances que fazem a diferença em um projeto”, destacou.
A cidade onde a estudante mora é uma das principais regiões do agronegócio maranhense e tem alta demanda por profissionais capazes de interpretar e utilizar dados geográficos para apoiar decisões estratégicas no campo. Nesse contexto, a formação oferecida pelo ProfiTec tem contribuído para qualificar mão de obra especializada.
“Estamos em uma região onde o curso de geoprocessamento é muito útil e, a longo prazo, vejo-me contribuindo diretamente para o desenvolvimento sustentável e tecnológico do agronegócio maranhense”, avaliou a estudante.
Entre as experiências acadêmicas que mais marcaram sua trajetória até agora estão as disciplinas de Cartografia e Sistemas de Informação Geográfica (SIG).
“Teve um momento, ao gerar meu primeiro mapa temático, que percebi o poder daquela informação para ajudar na tomada de decisões reais. Foi ali que tive certeza de que é exatamente isso que eu quero fazer”, relembrou.
Ao refletir sobre o Dia Internacional da Mulher e a importância da representatividade feminina na tecnologia, Maria Marta deixa um recado para outras mulheres maranhenses que pensam em seguir carreira na área.
“Minha mensagem é que não deixem que o receio do novo ou de um ambiente masculino as impeça. A tecnologia é um campo de inteligência e dedicação, e isso nós temos de sobra. Ocupem seus espaços, estudem e mostrem que o lugar da mulher é onde ela quiser, inclusive operando as tecnologias mais avançadas do nosso estado”, disse.

Por Débora Souza